INVESTIGAÇÕES

Dois assassinatos de radialistas foram incluídos no Programa Tim Lopes em 2018 e desde então vêm sendo investigados pela equipe da Abraji.

As reportagens produzidas têm sido publicadas pela rede de veículos parceiros para jogar luz sobre os casos e não deixá-los impunes.

Caso Jairo de Souza, em Bragança

O radialista Jairo de Souza foi morto ao subir a escadaria que dá acesso a Rádio Pérola FM, no dia 21 de junho de 2018, por volta das 4h50m. O crime ocorreu em Bragança, no Pará, quando Jairo chegava ao trabalho para apresentar seu programa matinal “Show da Pérola” que ia ao ar das 5h às 9h. Ele foi baleado com dois tiros depois de passar por um portão e subir alguns degraus da escadaria. Segundo investigação policial, o crime foi encomendado a um grupo de extermínio e teria custado R$30 mil. Onze pessoas foram denunciadas pelo Ministério Público, entre elas o vereador Cesar Monteiro Gonçalves, acusados de ser o mandante do crime. Poucos meses depois o vereador conseguiu um habeas corpus e responderá pelo processo em liberdade.

Quem mandou matar Jairo de Sousa?

Caso Jefferson Pureza, em Edealina

O radialista Jefferson Pureza, de 39 anos, foi morto na noite de 17 de janeiro de 2018, com três tiros no rosto, quando descansava na varanda de sua casa. O crime ocorreu em Edealina, interior de Goiás. Segundo os depoimentos que constam do inquérito, o crime foi negociado por R$5 mil e um revólver 38. Os seis acusados de envolvimento no crime continuam presos. Três menores cumprem medidas socioeducativas: um seria o atirador, o outro teria pilotado a moto e o terceiro indicado os dois para o serviço. O vereador José Eduardo Alves da Silva, acusado de ser o mandante, Marcelo Rodrigues dos Santos e Leandro Cintra da Silva foram citados na sentença de pronúncia do juiz Aluizio Martins Pereira de Souza, da comarca de Jandaia, no final de dezembro de 2018. Na prática, isso significa que o magistrado encaminhou o caso para ser julgado por um tribunal do júri.

Quem mandou matar Jefferson Pureza?

Caso Léo Veras, em Pedro Juan Caballero

O jornalista Lourenço (Léo) Veras, de 52 anos, foi morto na noite de 12 de fevereiro de 2020, com 12 tiros, quando estava na sala de casa com a família. O crime ocorreu no município paraguaio de Pedro Juan Caballero, que faz fronteira com a cidade sul-mato-grossense de Ponta Porã. Veras noticiava a disputa do narcotráfico na fronteira entre Brasil e Paraguai, e já havia recebido ameaças de morte. O crime ainda é investigado pelo Ministério Público e pela polícia paraguaia. Sabe-se que a pistola que matou o jornalista foi usada em sete execuções relacionadas à facção paulista Primeiro Comando da Capital (PCC). Policiais envolvidos na investigação apontam como um dos motivos para o crime a identificação do principal chefe do PCC na fronteira, conhecido como Salinas Ryguaçu. Circula a informação de que teria sido Veras o responsável por alertar as autoridades sobre a identidade do narcotraficante, o que teria levado Salinas a dar a ordem de execução do jornalista.

Quem mandou matar Léo Veras?